Quanto custa instalar carregador de carro elétrico em condomínio

O orçamento aberto, linha por linha: equipamento, instalação elétrica, estudo de demanda e plataforma. O que entra no rateio, o que é do morador, e onde os orçamentos costumam divergir.

  • Insights

Quando o assunto chega à assembleia, a primeira pergunta nunca é técnica. É “quanto custa”. E a resposta honesta — “depende” — é inútil para quem precisa levar um número ao conselho.

Este texto abre o orçamento linha por linha, com faixas reais, e explica o que faz cada linha subir ou descer. No fim você deve conseguir montar uma estimativa própria e, mais importante, comparar duas propostas que hoje parecem incomparáveis.

As quatro linhas de um orçamento

Todo projeto de recarga em condomínio tem quatro linhas. Propostas que juntam tudo num número só são difíceis de comparar — peça sempre separado.

1. O equipamento

É a linha mais fácil, porque é preço de tabela.

Modelo Potência Preço Observação
HOME 7 kW R$ 2.290 Bluetooth, app gratuito
SMART 7 kW R$ 3.290 Wi-Fi e OCPP, entra na plataforma de gestão
SMART 4G 7 kW R$ 3.790 Para garagem sem Wi-Fi
PRO 22 kW R$ 4.490 Para alta rotatividade

Em condomínio, 7 kW resolve a grande maioria dos casos. O carro fica parado a noite inteira; não há ganho em carregar em 50 minutos em vez de duas horas e meia, e 22 kW custa mais em equipamento e em infraestrutura.

Todos têm medição de energia integrada, o que dispensa medidor separado — uma linha de custo que aparece em algumas propostas concorrentes.

2. A instalação elétrica

É a linha que mais varia, e a que decide o orçamento.

É orçada pelo eletricista, e não por nós — o que ela inclui é circuito dedicado saindo do quadro, proteções (disjuntor, DR e DPS), eletroduto, cabo e a mão de obra. Como referência, a mão de obra costuma partir de R$ 500 por ponto, e o material varia bastante com a distância. Peça sempre material e mão de obra discriminados: é a única forma de comparar duas propostas.

O que empurra esse número para cima:

  • Distância até o quadro. É o fator dominante. Uma vaga a 15 metros do quadro e uma a 80 metros não custam a mesma coisa, e a diferença é quase toda cabo e eletroduto.
  • Quadro sem espaço. Se não há espaço para os disjuntores, entra um quadro secundário.
  • Prédio antigo sem shaft aproveitável. Passar cabo em prédio que não previu isso é obra, não instalação.
  • Cabo dedicado até o apartamento. Se a opção for levar a energia do quadro do apartamento até a vaga, em vez de usar a rede comum, o custo salta: de R$ 2.000 num térreo de prédio novo a R$ 15.000 ou mais num 15º andar de prédio antigo. Vale a pena ler sobre as duas opções antes de decidir — está em carregador em condomínio.

3. O estudo de demanda

Antes de qualquer decisão de compra, alguém precisa dizer quanta energia sobra na entrada do prédio. Sem isso, o resto é chute — e é assim que se instala um carregador que desarma o disjuntor geral numa noite de verão.

É um trabalho de engenharia, feito por profissional habilitado, com ART. Alguns fornecedores cobram, outros incluem. Nós não cobramos por essa avaliação inicial — a visita técnica do eletricista parceiro é gratuita e você recebe o orçamento detalhado antes de decidir qualquer coisa.

4. A plataforma de gestão

É a linha que quase todo orçamento esquece, e é a que separa “temos carregador” de “temos carregamento funcionando”.

Sem plataforma, alguém — normalmente o síndico — vai ler medidor, montar planilha e lançar valor no boleto, todo mês. Com plataforma, isso é automático: cada morador é identificado, o consumo é medido individualmente, e o relatório sai pronto para lançar na taxa condominial.

A cobrança é por prédio, não por carregador:

Mensalidade
Por carregador âmbar-e R$ 99/mês
Por carregador OCPP de outra marca R$ 119/mês
Incluída na locação sem custo adicional

Há desconto por volume a partir de um punhado de pontos no mesmo prédio, e o valor entra na proposta. Duas coisas valem a pena saber antes de comparar propostas: a plataforma já está inclusa na locação, sem cobrança separada; e ela funciona com carregador de outra marca, o que significa que trocar de fornecedor depois não obriga a trocar equipamento.

O que não entra na conta: a conta de luz do condomínio

Essa é a objeção mais forte em assembleia — “vai estourar a conta do prédio” — e a resposta é boa: o impacto é zero, desde que a medição seja individual.

A energia é medida por morador e cobrada de quem usou, seja no boleto ou por pagamento direto. O consumo passa pela conta do condomínio e sai dela no mesmo mês. Não há subsídio de quem não tem carro elétrico para quem tem.

Isso está detalhado em quem paga a energia, e é o argumento que costuma destravar a votação.

Para o morador, o custo mensal é modesto: um uso típico de 250 km por mês consome cerca de 35 kWh, o que a R$ 0,80 por kWh dá algo perto de R$ 28 por mês. Os mesmos 250 km a gasolina custariam entre R$ 150 e R$ 200.

Onde o balanceamento muda o orçamento

Há um cenário em que a conta acima estoura, e é o mais comum em prédio existente: o estudo de demanda mostra que a entrada de energia não comporta os carregadores que se quer instalar.

A saída óbvia é pedir aumento de carga à concessionária. É cara, é demorada, e às vezes envolve obra de entrada.

A saída melhor, na maioria dos casos, é balanceamento dinâmico de carga. O sistema conhece o limite do circuito e distribui a potência disponível entre os carregadores em uso, em tempo real, garantindo que o total nunca ultrapasse o limite. Na prática, permite instalar bem mais pontos sobre a mesma entrada — sem aumento de carga.

Como isso funciona, com exemplos numéricos e com as limitações declaradas abertamente, está em balanceamento de carga.

E se o condomínio não quiser investir

Existe o caminho da locação, que troca o desembolso por mensalidade: SMART por R$ 169/mês e PRO por R$ 199/mês, em contrato de 36 meses, com equipamento, garantia e suporte incluídos. A instalação elétrica é cotada à parte.

No fim dos 36 meses há três opções: devolver o equipamento sem custo, renovar com 50% de desconto na mensalidade, ou comprar — R$ 990 o SMART, R$ 1.290 o PRO.

Isso costuma resolver o impasse orçamentário, porque tira o item do orçamento de capital e o transforma em despesa mensal rateada entre os interessados. O caminho completo está em sem investimento do condomínio.

Uma estimativa fechada, para começar a conversa

Um condomínio instalando quatro pontos de recarga compartilhados, com SMART de 7 kW e infraestrutura já dimensionada para oito, tem estas linhas:

Linha Valor
4 × SMART 7 kW R$ 13.160
Instalação elétrica (4 pontos) orçada pelo eletricista
Estudo de demanda e projeto não cobrado na avaliação inicial
Plataforma de gestão R$ 99 por carregador por mês

O equipamento é a única linha que dá para fechar sem visitar o prédio. A instalação depende da distância até o quadro e do que o eletricista encontrar lá — é por isso que ela é orçada, e não tabelada.

Rateado entre os moradores interessados, ou aprovado como benfeitoria — a decisão é da assembleia, e as duas formas são usadas.

Um aviso honesto: tudo acima pressupõe vagas razoavelmente próximas do quadro e um prédio com folga na entrada de energia. Se o estudo de demanda disser outra coisa, a conta muda. É exatamente por isso que o estudo vem antes do orçamento, e não depois.

Próximo passo

Se o assunto já está na pauta, o mais útil não é pedir orçamento — é pedir o estudo de demanda, porque ele determina tudo o que vem depois. A visita técnica é gratuita e o orçamento vem detalhado, linha por linha, para você levar à assembleia.

Para preparar a apresentação, como aprovar em assembleia traz as objeções mais comuns e a resposta de cada uma. E o guia de instalação em condomínios está em PDF, gratuito, para circular com o conselho.

  • quanto custa instalar carregador em condomínio
  • condomínio
  • orçamento