Um morador pediu para instalar um carregador na vaga. Depois vieram mais dois. Esta página explica, sem termo técnico, o que isso exige do prédio — e por que quase nunca é preciso aumentar a energia.
Primeiro: o que é 7 kW
É a potência do carregador — o quanto ele puxa de energia enquanto está carregando. O número sozinho não diz nada, então vale a comparação com uma coisa que todo prédio já tem:
Aparelho
Potência
Fica ligado
Chuveiro elétrico
5,5 a 7,5 kW
10 minutos
Carregador de carro
7 kW
2 a 4 horas
Ar-condicionado de quarto
1 a 1,5 kW
algumas horas
Elevador (em movimento)
5 a 15 kW
segundos por viagem
Um carregador consome como um chuveiro elétrico ligado. A diferença é o tempo: o chuveiro fica ligado dez minutos e o carro fica três horas. É por isso que um carregador não é um eletrodoméstico comum — não é a potência que assusta, é a duração.
Monofásico, bifásico, trifásico
É só o número de "caminhos" de energia que chegam ao ponto. Não é preciso entender a física; o que importa na prática é isto:
Monofásico e bifásico — o que existe na maioria dos prédios e apartamentos. Comporta um carregador de 7 kW, que é o mais usado em condomínio.
Trifásico — necessário para carregadores de 22 kW, que carregam mais rápido. Em garagem de prédio raramente compensa: o carro vai passar a noite ali de qualquer forma.
Na prática, 7 kW resolve a grande maioria dos casos em condomínio, e é a potência que não exige mexer na entrada de energia do prédio.
O limite não é o carregador. É a entrada do prédio.
Todo prédio tem um limite de energia contratado com a concessionária. Esse limite foi dimensionado para elevadores, bombas, iluminação, portões e os apartamentos — ninguém previu carros.
Um carregador cabe folgadamente. O problema aparece quando são cinco: cinco vezes 7 kW são 35 kW pedidos ao mesmo tempo, e essa folga o prédio normalmente não tem. É esse o momento em que alguém diz que "vai precisar aumentar o padrão".
Três caminhos — e por que dois deles são ruins
Caminho 1
Aumentar a energia do prédio
Pedir mais carga à concessionária. Funciona, mas é caro, demora, pode exigir obra na entrada e precisa passar por assembleia. E é uma conta que o prédio inteiro paga por causa de alguns moradores.
Último recurso, não o primeiro.
Caminho 2
Ligar e desligar (balanceamento estático)
Um equipamento externo corta ou devolve a energia de cada carregador, em rodízio, ou fixa um teto baixo permanente para cada um. É o que dá para fazer quando o carregador não sabe conversar com nada.
Funciona, mas o morador sente.
Caminho 3
Dividir a energia (balanceamento dinâmico de carga)
Um controlador instalado no prédio mede, em tempo real, quanto o prédio inteiro está consumindo e distribui a sobra entre os carros que estão carregando naquele momento. Quando um termina, os outros recebem mais.
Todos carregam ao mesmo tempo, um pouco mais devagar.
A diferença, na noite do morador
Três carros chegam entre 19h e 20h. O prédio tem 15 kW de sobra para a garagem. Veja o que cada caminho faz:
Ligar e desligar
Dividir a energia
Quantos carregam às 20h
2 carregam a 7 kW, 1 espera
Os 3, a 5 kW cada
O terceiro morador
Só começa quando outro terminar. Se ele sair às 6h, pode não ter carregado.
Começa na hora em que plugou.
De madrugada
Continua no mesmo rodízio.
O prédio dorme, sobra energia, e quem ficou recebe mais.
O que o morador percebe
Que às vezes o carro não carregou e ninguém sabe explicar por quê.
Que carregou mais devagar numa noite cheia.
Reclamação no grupo do prédio
Provável.
Rara — ninguém fica sem.
É a mesma energia nos dois casos. O que muda é que um caminho escolhe quem fica sem e o outro não precisa escolher.
A mesma noite, desenhada
Três carros chegam à noite e o prédio tem 15 kW de sobra para a garagem. A energia disponível é exatamente a mesma nos dois desenhos — o que muda é quem decide como ela é repartida.
Ligar e desligar
20h — chegam três carros
Carro A7 kW
Carro B7 kW
Carro Cespera
Dois carregam no máximo. O terceiro fica na fila, sem carregar nada.
01h — o primeiro termina
Carro Acheio
Carro B7 kW
Carro C7 kW
Só agora o terceiro começa. Se o dono sair às 6h, pode não ter dado tempo.
Alguém sempre espera — e ninguém avisa quem.
Dividir a energia
20h — chegam três carros
Carro A5 kW
Carro B5 kW
Carro C5 kW
Os três carregam ao mesmo tempo, um pouco mais devagar cada um.
01h — o prédio dorme
Carro Acheio
Carro B7 kW
Carro C7 kW
Sobra energia e quem ficou passa a receber mais, sem ninguém mexer.
Ninguém fica sem. É a mesma energia, melhor distribuída.
Comparação de uma noite com três carros e 15 kW disponíveis. À esquerda, o sistema liga e desliga carregadores: dois carregam a 7 kW e um espera. À direita, a energia é dividida: os três carregam a 5 kW ao mesmo tempo e, quando o primeiro enche, os outros dois passam a 7 kW.
Onde entra o carregador que veio com o carro
Várias montadoras entregam um carregador junto com o veículo. Ele carrega bem e não há nada de errado com ele. Mas quase sempre é um equipamento isolado: não tem como avisar quanto consumiu, de quem foi a recarga, nem receber uma ordem para puxar menos corrente.
E é aí que está a diferença que ninguém explica: um carregador que não recebe ordens só pode ser ligado ou desligado. Não existe meio termo. Por isso, um prédio que padronize esses equipamentos fica preso ao Caminho 2 — não por escolha, mas porque não há o que regular.
Um carregador que aceita ordens pode ser instruído a puxar 12 A agora e 30 A daqui a uma hora, sem interromper a recarga. É o que torna o Caminho 3 possível.
Isso não obriga ninguém a jogar fora o que já tem. Um prédio pode misturar: os carregadores que aceitam ordens entram no balanceamento e os demais ficam num limite fixo. Só é preciso saber disso antes de decidir a infraestrutura, e não depois.
“Mas existe uma caixinha que deixa ele inteligente”
Existe, e é uma solução comum: um equipamento instalado antes do carregador, que corta ou devolve a energia dele. Do lado do sistema de gestão isso aparece como um carregador que liga e desliga, e é vendido como balanceamento de carga.
Funciona, no sentido de que evita a sobrecarga. Mas vale entender o que está acontecendo de fato: a caixa não conversa com o carregador nem com o carro. Ela corta a alimentação. E cortar a alimentação não é a mesma coisa que encerrar uma recarga.
Duas consequências que aparecem depois, e que valem a pergunta antes:
A recarga não termina — ela é interrompida. O carregador não chega a informar que a sessão acabou, porque perdeu a energia no meio dela. Num prédio que cobra cada morador pelo que consumiu, isso é exatamente o dado que precisa estar correto. Sessões que ficam em aberto são a origem mais comum de conta que não fecha no fim do mês.
O equipamento é interrompido de um jeito para o qual ele não foi pensado. Numa parada normal, o carregador primeiro pede ao carro que reduza a corrente e só depois abre o contator, já sem carga. Cortando a energia por fora, o contator abre com a corrente passando. Uma vez não é nada; todo dia, várias vezes por dia, é desgaste que ninguém previu no projeto — e depende inteiramente de como a caixa foi feita.
Nada disso quer dizer que o carregador vai queimar. Quer dizer que a pergunta certa para quem oferece essa solução é: ela conversa com o carregador, ou apenas corta a energia dele? As duas coisas são vendidas com o mesmo nome e não são a mesma coisa.
Num carregador que aceita comandos, a diferença é visível: ele recebe “reduza para 12 A”, o carro obedece sem a recarga parar, e no fim a sessão é encerrada normalmente, com o total certo. É a diferença entre baixar o volume e arrancar o cabo da tomada.
O que perguntar a qualquer fornecedor
Cinco perguntas que separam uma proposta séria de uma planilha bonita. As respostas variam bastante no mercado.
O balanceamento é cobrado por prédio ou por quadro elétrico?Um prédio grande costuma ter mais de um quadro na garagem. Cobrança por quadro multiplica a conta sem que nada mude para o morador.
O balanceamento dinâmico está incluído ou é opcional?Há propostas em que o pacote básico faz apenas o controle simples e o dinâmico é um adicional mensal que aparece depois.
Funciona se a internet cair? Pergunte onde fica a inteligência. Se estiver na nuvem, uma queda de link deixa a garagem sem controle.
O sistema aceita carregador de outra marca? Se aceitar, o condomínio pode trocar de fornecedor depois. Se não, a escolha de hoje é definitiva.
O condomínio fica preso por quanto tempo? Quase toda proposta tem um prazo — o que varia muito é o tamanho dele, e se o equipamento é retirado da vaga quando o contrato acaba. Há no mercado prazos de três a cinco anos com o prédio, não apenas com o morador.
Como respondemos essas cinco
Por prédio. Um valor único, independente de quantos quadros ou carregadores existam.
Incluído na locação, não como adicional.
Continua funcionando sem internet — o controlador é local. Relatórios e faturamento é que dependem de conexão.
Aceita qualquer carregador com OCPP 1.6, inclusive de outras marcas.
Há prazo de exclusividade, como em qualquer projeto desse porte. O que muda é o fim dele: o carregador fica com o morador — não é retirado da vaga.
E se a internet cair?
O balanceamento continua. A inteligência fica num controlador instalado no próprio prédio, não na nuvem — ele mede a energia ali e decide ali. Uma queda de link não deixa a garagem sem controle.
O que depende de conexão é o resto: o painel, os relatórios, o faturamento e a gestão remota.
Duas coisas que valem a ressalva
Existe um piso. A corrente não é reduzida abaixo de cerca de 3,5 kW, porque abaixo disso a maioria dos carros simplesmente não carrega. Se houver carregadores demais para a energia disponível, o sistema avisa que nem todos podem funcionar ao mesmo tempo.
O carregador precisa falar OCPP. SMART, SMART 4G, PRO e PRO 4G já saem assim. O âmbar-e HOME e o âmbar-e PAY saem de fábrica sem OCPP, mas podem ser atualizados pelo aplicativo âmbar-e BLUE — feito o upgrade, participam do balanceamento como qualquer outro.
Por onde começar
Pelo estudo de demanda: alguém habilitado mede quanta energia sobra na entrada do prédio e diz quantos carregadores cabem. Ele determina todo o resto, inclusive o orçamento — por isso vem antes, e não depois. A visita técnica de avaliação não é cobrada.
Perguntas frequentes
O condomínio precisa aumentar a energia do prédio?
Na maioria dos casos, não. Um estudo de demanda mede quanta energia sobra na entrada do prédio nos horários de pico. Quase sempre sobra o suficiente para vários carros, desde que a energia seja dividida entre eles em vez de cada carregador puxar o máximo ao mesmo tempo.
Qual a diferença entre balanceamento estático e dinâmico?
O estático liga e desliga carregadores, ou fixa um limite baixo permanente para cada um. O dinâmico mede o consumo do prédio inteiro em tempo real e ajusta a corrente de cada carro continuamente, aproveitando a energia que estiver sobrando naquele momento. No estático o carro carrega no máximo ou não carrega; no dinâmico todos carregam ao mesmo tempo, um pouco mais devagar.
O carregador que veio junto com o carro serve?
Serve para carregar. O que ele normalmente não faz é conversar com um sistema de gestão: não dá para pedir a ele que reduza a corrente, nem saber quanta energia cada morador consumiu. Por isso, num prédio com vários carros, ele só pode ser ligado e desligado por um equipamento externo — não dá para regular.
O que acontece se faltar internet na garagem?
O balanceamento é local e continua funcionando mesmo sem internet. O controlador fica instalado no próprio prédio e não depende da nuvem para dividir a energia. O que precisa de conexão são os relatórios, o faturamento e a gestão remota.
Quanto tempo demora para carregar com a energia dividida?
Depende de quantos carros estão carregando ao mesmo tempo. O padrão de uso real ajuda: o morador não chega com a bateria vazia todos os dias. Uma recarga típica de uma noite repõe o que se gastou no dia, e a madrugada quase sempre sobra energia porque o prédio inteiro está dormindo.
Condomínios
Quer saber quantos carregadores cabem no seu prédio?
A avaliação técnica não é cobrada. Você recebe o número e o orçamento detalhado antes de decidir qualquer coisa.