Carregador em estacionamento: por que AC de 7 kW rende mais que o carregador rápido
A conta que decide o projeto não é a potência do carregador — é o tempo que o carro fica parado. Por que um estacionamento ganha mais com AC de 7 kW do que com DC, com os números.
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Quase todo estacionamento que pensa em instalar carregador começa pela pergunta errada. A pergunta que aparece primeiro é “qual a potência?”, e a resposta intuitiva é “a maior que couber” — carregador rápido, DC, 50 kW ou mais.
Para um estacionamento, isso quase sempre é dinheiro jogado fora. O motivo é simples e vale a pena ver de perto.
O que decide o projeto é o tempo de permanência
Um carregador só entrega energia enquanto o carro está plugado. Então o teto do que você pode vender não é a potência do equipamento — é quanto tempo o carro fica lá.
| Segmento | Permanência média | Energia entregue a 7 kW |
|---|---|---|
| Supermercado | 30 a 45 min | 3 a 5 kWh |
| Restaurante | 1 a 2 horas | 7 a 14 kWh |
| Estacionamento | 1 a 4 horas | 7 a 28 kWh |
| Hotel | 8 a 12 horas | 56 a 84 kWh |
| Condomínio | durante a noite | 18 a 40 kWh |
Um estacionamento onde o carro fica três horas entrega cerca de 21 kWh com um carregador de 7 kW. Isso é mais do que a maioria dos motoristas consome num dia inteiro de uso urbano.
Trocar esse equipamento por um DC de 50 kW não faz o carro ficar mais tempo, e não faz o motorista comprar mais energia — ele compra o que a bateria dele precisa, e vai embora. Você pagaria de dez a vinte vezes mais para entregar a mesma coisa em menos tempo, num lugar onde ninguém tem pressa.
Carregador rápido é para quem está de passagem: rodovia, posto de combustível, corredor entre cidades. Estacionamento é o oposto disso — é o lugar onde o carro fica parado de propósito.
A diferença de custo é grande
| AC 7 a 22 kW | DC 50 a 150 kW | |
|---|---|---|
| Equipamento | R$ 2.290 a R$ 4.490 | uma ordem de grandeza acima — cotado por projeto |
| Instalação elétrica | orçada por ponto | uma ordem de grandeza acima |
| Exige trifásico industrial? | Não | Sim |
| Atende quais carros? | Todos, elétricos e híbridos plug-in | Só os 100% elétricos |
| Retorno típico | 6 a 18 meses | 3 a 5 anos |
A linha que costuma decidir a discussão é a penúltima. Carregador DC não atende híbrido plug-in — nenhum deles tem entrada de corrente contínua. Instalando só DC, você exclui de 30% a 40% dos carros eletrificados que circulam hoje, inclusive os modelos mais vendidos em frota corporativa.
Com AC você atende 100% da frota plug-in, por uma fração do custo.
Quantos instalar
Aqui há um erro que se paga caro nos dois sentidos: instalar de menos e criar fila, ou instalar de mais e imobilizar capital.
A conta certa não é quantos carros elétricos passam pelo seu estacionamento por dia. É quantos estão lá ao mesmo tempo. Se quatro carros elétricos entram em horários diferentes ao longo do dia, dois carregadores atendem os quatro sem ninguém esperar. Você só precisaria de quatro se todos chegassem juntos.
Para a maioria dos estacionamentos urbanos hoje, começar com dois é a decisão certa, e escalar quando aparecer fila de verdade.
Uma coisa vale a pena antecipar mesmo sem instalar: deixe a infraestrutura elétrica pronta para o dobro. Eletroduto, espaço no quadro, disjuntor reservado. O custo marginal de fazer isso na mesma obra é baixo, e evita reabrir piso dois anos depois.
E quando os dois carregarem ao mesmo tempo?
Essa é a objeção que aparece na sequência, e é legítima. Dois carregadores de 7 kW somam 14,8 kW de demanda. Seis somam 44 kW. Em prédio ou galeria existente, essa capacidade raramente está sobrando.
A resposta não é aumentar o padrão de entrada. É balanceamento dinâmico de carga: o sistema conhece o limite do circuito e distribui a potência disponível entre os carregadores que estão em uso, em tempo real. Quando um carro termina, quem ficou recebe mais. O total nunca ultrapassa o limite.
Na prática isso significa instalar mais pontos de recarga sobre a mesma entrada de energia, sem obra na concessionária. O funcionamento está explicado em detalhe, com exemplos numéricos e com as limitações declaradas, em balanceamento de carga.
Quanto cobrar
Três formas existem, e uma delas é claramente melhor.
Por kWh consumido é a mais justa e a mais fácil de defender: o motorista paga exatamente o que levou. Exige um carregador com medição integrada e uma plataforma que registre por usuário.
Valor fixo por sessão é simples, mas penaliza quem carrega pouco e premia quem carrega muito.
Por hora de conexão parece prático e costuma gerar reclamação: quem plugou e carregou 5 kWh paga o mesmo que quem carregou 25 kWh. Evite.
Sobre o valor em si, o motorista compara o seu preço com o do posto público, não com a tarifa residencial. Posto público AC gira em torno de R$ 1,77 por kWh e DC entre R$ 1,95 e R$ 2,50. Um estacionamento posicionado em R$ 1,50 fica abaixo de todos eles e ainda mantém margem sobre uma tarifa comercial de R$ 0,75 a R$ 0,85.
Esses são preços de referência de 2025 e início de 2026 e mudam. Confira a sua tarifa na fatura antes de fechar o número.
Onde o cliente vai te achar
Um detalhe que costuma ser esquecido e que não custa nada: motorista de carro elétrico decide onde parar antes de sair de casa, e decide olhando mapa. Cadastrar o ponto no Google Business Profile e no PlugShare é gratuito, leva minutos, e é o que transforma o carregador em fluxo novo em vez de conveniência para quem já ia mesmo.
Sinalizar a vaga também importa, pelo mesmo motivo: o carregador que ninguém vê não atrai ninguém.
O resumo
O estacionamento é provavelmente o melhor segmento do mercado brasileiro para carregamento AC, e a razão é estrutural: o carro já está parado, a vaga já existe, e o cliente já está pagando para usá-la. O carregador transforma uma vaga comum numa vaga que o motorista elétrico procura.
Comece com dois carregadores AC de 7 kW, deixe a infraestrutura pronta para o dobro, cobre por kWh, e cadastre o ponto nos mapas.
Se quiser a conta feita para o seu caso, com o seu número de vagas e a sua tarifa, há mais detalhe em carregadores para empresas e no guia completo para estacionamentos, que tem os cenários de retorno abertos.